
Mãe.
Desejar isso é loucura.
Desconforto físico. Mudanças definitivas no corpo.
Submeter-se a exames invasivos - mais que os de costume.
Ânsias, de vômito, de desejos, de melhores condições financeiras, de paz nas ruas, de um ar mais limpo, de respeito aos direitos humanos, de produzir leite, de não perder o interesse em seu homem - muito menos o contrário, de gerar um ser saudável...
Desejar isso é loucura.
Aguentar o cheiro do vômito, de excreções.
Esquecer de tudo quanto diga respeito a si.
A dor de um animalzinho sugando um seio já dolorido, inchado e alterado.
Desejar isso é loucura.
Perder noites de sono, seja pelo choro ou pela festa na casa dos amigos.
Sentir rasgar-se o coração ao ver cair a cria, ralando o joelho no asfalto aos prantos desesperados.
Ficar em casa comprometida com os deveres maternos enquanto o homem sai livre, como o beija-flor que deixa, sem querer, cair o pólen, provocando a excitação da primavera, depois voa longe, sem preocupações.
Desejar isso é loucura.
Isso e tantas outras dores. Tantas lágrimas.
Muitas vezes pagas com ingratidão e revolta.
É loucura.
É loucura.
Loucura.
E eu me viro do avesso como uma louca gritando:
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