segunda-feira, 3 de março de 2008


Olhe para essas mãos que não tem força para arrancar os
próprios olhos.
Que escrevem por folhas brancas e escrevem por cima de
outras linhas também.
Escrevo sobre o que não sei.
E falo o que nem sempre faço, apenas pra tentar fazer
você sentir o que sinto.
Desenhei a melhor imagem de mim. Dilacerando corpos,
cortando os pedaços de quem eu amava.
E arranquei as páginas dos livros e a melodia das
canções. Pelas ruas eu andei, colando minhas memórias.

Sou os vales e montanhas que meu humor imita. As águas
que eu temi e as noites que tentei enfrentar.
Nesses dias em que tudo parece estar impregnado do seu
contrário.
Eu me estilhaço em cacos... E o corpo se refaz a cada
instante.
Nesses dias em que tudo parece estar impregnado do seu
contrário.
Pensar incomoda como andar a chuva quando o vento
cresce e parece que chove mais.

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