sábado, 10 de maio de 2008


É engraçado como não sei definir o que sinto quando transito entre lembranças tão íntimas quanto um trago; é uma mistura de frio e calor, e de tão opostos se completam em um único sentimento, que assim não possui nome. É um anônimo em mim, é um prazer irreal, cheio de caras e bocas, cheio de cores e desejos, de abraços e apertos . Quando aquele calor aquece -me por dentro, e fortes odores me resgatam de sonhos prolongados em minutos tão extensos, sinto-me presa-, por assim querer estar. Por alguns segundos tudo tem trilha sonora, tudo tem sabor, e as palavras que sempre foram tão difíceis de dizer correm, e correm entre minha mente, me envolvendo por inteira e me fazendo flutuar em meio aos doces e tão apurados instintos aguçados do meu corpo . Elas me tocam, e me fazem a cada vez mais querer aquelas lembranças ao vivo, cheia de cores, com sabor de cereja, e sons estimulantes-, no frio chão, no quente-,entre cobertas e cobertores, no suado do seu corpo,que mais parece cola sobre mim . Sentir nas costas toques, que arrepiam minha mente. E perceber que em meio há tantas palavras perdidas, tudo sempre acaba com sorrisos tímidos, e cores tão vibrantes, quanto àquelas lembranças vorazes .

Um comentário:

Srta. Clichê! disse...

Mais um texto excepcional!! Arrisco-me a dizer que a inspiração não é o amor - pelo menos não tão somente!!! Talvez desejo, tesão... Mas acho também muito vago... Bem, é como vc bem disse: "é uma mistura de frio e calor, e de tão opostos se completam em um único sentimento, que assim não possui nome".