Com licença eu posso entrar? Eu sei que a casa também é minha , mas ela já tem tanto de nós que nem me sinto mais à vontade pra chegar assim sem avisar, sem marcar hora , sem ao menos um prefácio.Não é fácil.Eu só vim buscar umas coisas, não pretendo me demorar.É só o tempo de tomar um café,de separar as xícaras ,os discos, os livros. A secretária eletrônica transmite os recados em vozes familiares.Substantivos ,verbos ,sujeitos e predicados. Orações mal formuladas. Sinto falta do nosso silêncio a dois. Sinto falta dos adjetivos nas mensagens que ouço.Eles devem estar nos meus textos da madrugada.Todos traduzem a fé em nós. Afinal, onde termina a música e aonde começa a história? Afetos arquivados em pastas de computador. Deixarei um lembrente da próxima vez:"salvar nossa fé em disquete". Eu sei que a culpa também é minha , mas ela já tem tanto de nós que nem sinto vontade de partir assim sem avisar, sem marcar hora, sem ao menos um prefácio. Não é fácil. Com licença, eu posso ficar?
Conto por Maíra Viana, baseado na música "Fé solúvel", da banda "O teatro mágico" .
2 comentários:
Vou assistir esse filme então!
:)
tem um nome 'marcante',deve ser ótimo!
:*
**Salvar a nossa fé em disquete**
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