segunda-feira, 30 de março de 2009


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.

Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.


Fernando Pessoa .



P.S: Espero que entenda cada ponto, cada vírgula, cada interrogação desse poema. Na hora eu juro, pensei em abortar o sentimento de você . Te amo !

2 comentários:

Unknown disse...

Vc é uma filha da puta!!! GGGRRRR
Pode acreditar, nem me sentir patética por aquilo, pode acreditar sentir, sentir, meu coração bate, apanha e volta.
Obrigada por tudo :~
amo-te

Srta. Clichê! disse...

Um abraço em cada uma!