quarta-feira, 16 de setembro de 2009


Estava deitada nua em cima da cama, lendo Bukowski ... Não havia segredo algum naquelas sujas palavras. Entendia perfeitamente cada letrinha daquele velho que a tocava. Por um instante levantou-se da cama, quis escutar músicas antigas, dessas bregas que os pais escutavam quando era criança. Sentou-se . Longe ficou ... Olhou para o resto do corpo, e nada mais era interessante. Com quase nada se importava. Aprendeu a reconhecer às pessoas pelo tamanho do sorriso. Quanto mais constante ele, menos confiável, quanto mais aberto, mais mentiroso era. Naquela hora apenas cigarros e vodka eram sua companhia. Bukowski já estava fechado, do outro lado da cama. A vida já era demais boa. Tinha o que precisava. Sabia que os planos no momento certo seriam realizados. Os pés descascados, unhas mal feitas e pernas com mais pêlos que pele, mesmo. Não é que não se cuidava, apenas já tinha tudo o que queria. Querer mais que aquilo era desafio, e ela havia se cansado deles. Metáforas e acasos já não estavam presentes em sua vida . Uma coisa a preocupava, aquela terrível dor que a partia em pedaços vez ou outra....


"Tudo o que era mau atraía-me: gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil."

5 comentários:

Unknown disse...

"Quanto mais constante ele, menos confiável, quanto mais aberto, mais mentiroso era."
....

texto belo, adoro suas letras

Anônimo disse...

"... nada mais era interessante."

Rany Andrade. disse...

Adoro ler você, adoro imaginar você os escrevendo.

Ah Tati, sinto saudade de vc, sem ter de fato te encontrado.

Milca disse...

"Aprendeu a reconhecer às pessoas pelo tamanho do sorriso."

Adorei o texto Thaty!
:*

Aline A. disse...

Bukowski reina!

Muito bacana o texto!