Quando eu estava na 5° série do Ensino Fundamental, assisti à primeira entrevista da minha vida. Não lembro ao certo agora sobre o que era, ou quem estava realizando, mas, de fato, depois daquele dia, ser jornalista era minha sina. A entrevista me tocou muito porque eu gostava de descobrir sobre as pessoas, não para fofocar, mas para minha análise. Papai, como sempre, muito distante, bancando o durão, não conseguia me dizer nenhuma palavra doce, a não ser: - Como está as caminhadas? Já foi no nutricionista esta semana?
Logo comecei a odiar câmeras. Virei adolescente e passei a ter mais contato com a literatura. Assim, conheci grandes nomes, como Drummond, Clarice Lispector, Fernando Sabino e outros. Não posso deixar de comentar, pois foi um fato importante. Foi Lispector que me tocou mais profundamente. Tinha um amor tão grande por ela, que devorei seus livros. Hoje, enfeitam minhas prateleiras. Daí então foi um passo. Queria escrever um livro, me tornar alguém importante e o melhor queria que as minhas palavras fizessem sentido pra alguém.
Ainda na adolescência, me revoltei contra muitas coisas. Comecei a escutar um estilo de música nada casual. Algumas falavam de dor, outras de amor, mas a maioria falava dos conflitos sociais. Foi quando comecei a pesquisar mais sobre a profissão, analisava tudo relacionado à música, textos de autores conhecidos e claro, me destacava na escola em português.
No 2° ano do Ensino Médio as coisas desandaram. Meus pais se separaram e minha querida mamãe entrou em depressão. Sem pensar, larguei a escola para cuidar dela. Não queria perdê-la, já havia deixado muitas coisas que gostava para trás e não era justo com ela apenas fingir que nada estava acontecendo. Logo reprovei na escola. Senti muita vergonha. Nunca, na família, ninguém tinha reprovado de ano até então, mas pensava ser por uma boa causa, e foi. Hoje mamãe é tudo que tenho de mais precioso na vida.
Mas a vergonha maior aconteceu quando tive que fazer supletivo. Enquanto todos os meus amiguinhos da escola faziam formatura, eu estava lá, em uma sala com um monte de gente muito mais velha. Então, tentei entrar na Universidade de Brasília. Estudei durante 1 ano e meio, mas não alcancei nota o suficiente pra realizar meu sonho de ser jornalista. Então tive que optar por particular- dentro das minhas condições financeiras.
Lembro-me até hoje, mesmo não satisfeita em estudar neste lugar, pois meu sonho era bem maior, a felicidade que senti ao virar universitária. O choque maior aconteceu em uma sexta-feira: entrei sem sala e lá estava ele. Baixinho, careca, barba branca. Ranzinzo que só ele, assustou todos em sala. Apresentou-se: Bom dia! Meu nome é Pepe Rezende, sou do Correio Braziliense e vou ser professor de Jornalismo Investigativo. Claro que discutimos diversas vezes em sala, mas, minha nota final com ele nunca foi menos de nove. Esse cara me fez ser apaixonada por jornalismo. No 2° semestre me indicou para trabalhar no JBr, mas, não tive chances de mostrar meu trabalho, devido a etapa do curso que estava.
Então, tive diversos professores que me ajudaram bastante, mas, meu primeiro estágio só aconteceu no começo do 4° semestre, quando trabalhei no jornal Tribuna do Brasil. Junto a isso muitas coisas boas e muitas frustrações também aconteceram. Hoje não gostaria de estar nem acima e nem abaixo de onde estou. Todos os dias me levando e peço: Deus, que não haja tantas mortes. Nem muitos adolescentes envolvidos com tráfico. Que os acidentes não sejam fatais e que não saia daqui sobrecarregada de tanta desgraça.
Minha profissão me proporciona ser muita coisa, me adianta muita coisa. Agradeço muito ao chefe que tenho que com paciência me faz aprender todos os dias. Cheio de bom humor e competência, ele se tornou uma grande referência. E se me perguntar o que espero para os próximos anos, eu gostaria de responder algo poético, mas a cada dia, o mundo é mais caos do que qualquer outra coisa. E nós temos esse papel, triste e importante. Transmitir a notícia. Pra ser sincera, no meio disso tudo me apaixonei por vídeo e pretendo desesperadamente fazer cursos na área. Quero assinar fotografia de alguma coisa bacana, um documentário, filme, curta metragem, não sei bem, talvez de cada um, mas quero poder realizar.
Gostaria de terminar este texto, citando Gabriel Garcia Máquez, um escritor-jornalista adorável: "Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
Logo comecei a odiar câmeras. Virei adolescente e passei a ter mais contato com a literatura. Assim, conheci grandes nomes, como Drummond, Clarice Lispector, Fernando Sabino e outros. Não posso deixar de comentar, pois foi um fato importante. Foi Lispector que me tocou mais profundamente. Tinha um amor tão grande por ela, que devorei seus livros. Hoje, enfeitam minhas prateleiras. Daí então foi um passo. Queria escrever um livro, me tornar alguém importante e o melhor queria que as minhas palavras fizessem sentido pra alguém.
Ainda na adolescência, me revoltei contra muitas coisas. Comecei a escutar um estilo de música nada casual. Algumas falavam de dor, outras de amor, mas a maioria falava dos conflitos sociais. Foi quando comecei a pesquisar mais sobre a profissão, analisava tudo relacionado à música, textos de autores conhecidos e claro, me destacava na escola em português.
No 2° ano do Ensino Médio as coisas desandaram. Meus pais se separaram e minha querida mamãe entrou em depressão. Sem pensar, larguei a escola para cuidar dela. Não queria perdê-la, já havia deixado muitas coisas que gostava para trás e não era justo com ela apenas fingir que nada estava acontecendo. Logo reprovei na escola. Senti muita vergonha. Nunca, na família, ninguém tinha reprovado de ano até então, mas pensava ser por uma boa causa, e foi. Hoje mamãe é tudo que tenho de mais precioso na vida.
Mas a vergonha maior aconteceu quando tive que fazer supletivo. Enquanto todos os meus amiguinhos da escola faziam formatura, eu estava lá, em uma sala com um monte de gente muito mais velha. Então, tentei entrar na Universidade de Brasília. Estudei durante 1 ano e meio, mas não alcancei nota o suficiente pra realizar meu sonho de ser jornalista. Então tive que optar por particular- dentro das minhas condições financeiras.
Lembro-me até hoje, mesmo não satisfeita em estudar neste lugar, pois meu sonho era bem maior, a felicidade que senti ao virar universitária. O choque maior aconteceu em uma sexta-feira: entrei sem sala e lá estava ele. Baixinho, careca, barba branca. Ranzinzo que só ele, assustou todos em sala. Apresentou-se: Bom dia! Meu nome é Pepe Rezende, sou do Correio Braziliense e vou ser professor de Jornalismo Investigativo. Claro que discutimos diversas vezes em sala, mas, minha nota final com ele nunca foi menos de nove. Esse cara me fez ser apaixonada por jornalismo. No 2° semestre me indicou para trabalhar no JBr, mas, não tive chances de mostrar meu trabalho, devido a etapa do curso que estava.
Então, tive diversos professores que me ajudaram bastante, mas, meu primeiro estágio só aconteceu no começo do 4° semestre, quando trabalhei no jornal Tribuna do Brasil. Junto a isso muitas coisas boas e muitas frustrações também aconteceram. Hoje não gostaria de estar nem acima e nem abaixo de onde estou. Todos os dias me levando e peço: Deus, que não haja tantas mortes. Nem muitos adolescentes envolvidos com tráfico. Que os acidentes não sejam fatais e que não saia daqui sobrecarregada de tanta desgraça.
Minha profissão me proporciona ser muita coisa, me adianta muita coisa. Agradeço muito ao chefe que tenho que com paciência me faz aprender todos os dias. Cheio de bom humor e competência, ele se tornou uma grande referência. E se me perguntar o que espero para os próximos anos, eu gostaria de responder algo poético, mas a cada dia, o mundo é mais caos do que qualquer outra coisa. E nós temos esse papel, triste e importante. Transmitir a notícia. Pra ser sincera, no meio disso tudo me apaixonei por vídeo e pretendo desesperadamente fazer cursos na área. Quero assinar fotografia de alguma coisa bacana, um documentário, filme, curta metragem, não sei bem, talvez de cada um, mas quero poder realizar.
Gostaria de terminar este texto, citando Gabriel Garcia Máquez, um escritor-jornalista adorável: "Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
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