Sentada no banco da praça ela espera. Aguarda sem pressa à chegada daquele alguém. Vovós e vovôs se beijam sem receio dos olhares, que monitoram a todo instante os lábios dos casais. As crianças correm de um lado para o outro, pulam, balançam e caem. Logo eles se levantam e procuram os pais, que estão logo ao lado. A mãe, vaidosa, segue à risca a lista de exercícios. O pai, não consegue esquecer a conta que tem que pagar amanhã, após o meio-dia, mesmo com um lata de cerveja na mão. Ele sabe, o feriado acabou.
Ela usa um chapéu grande, quer se proteger do sol. Acende um cigarro e não consegue parar de escrever no caderninho que carrega aonde vai. Observa atenta os passos das pessoas que estão na praça. Ela já passou muitos momentos ali e se diverte, encontra uma paz inexplicável. Do outro lado os garotos se divertem jogando bola. Quedas e dribles, sempre um sorriso estampado no rosto da criança. Ela imagina, pensa como pode tudo mudar de repente. É, a chuva chegou, todos correm. Não entende, pensa: "é agua, por favor, aproveitem". Em seguida, esconde o caderno dentro da jaqueta, para que as letras não fiquem tão borradas.
Levanta-se, dança com calma. A bailarina solitária esbanja seu charme em meio ao chão grosso e o céu, tão fechado. Seu carnaval acabou, na verdade, nem começou. Não gosta. Apenas um canção embala o momento, ela canta baixinho, como se alguém estivesse ali, abraçado a ela. Dançando lento, rindo e se divertindo com aquele momento. Então ela começa: "Let them go their way, To that new living, I won't ever stray ,'Cause this is heaven to me".
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