quinta-feira, 4 de junho de 2009

''Isso de mim que anseia desepedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo: Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isto? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.''

Hilda Hilst




Confesso amor, não sei quais são os meus limites. Lembro-me de você me dizendo muitas vezes que a paixão cega e nos causa o desequilíbrio mental. Mas responda, com toda sinceridade, você aprendeu a se controlar ? Eu sei que não ... Você anda mentindo.

Tudo bem, eu ignoro tudo isso se você prometer relatar em detalhes as coisas que eu não sei. Pra começar, onde esteve noite passada?
Certo, mas por qual motivo você mentiu dizendo que estava se matando aos poucos? É nossa relação que anda sem pé e muito menos sem cabeça, que te faz fugir de nós todos os dias... Eu já saquei!

Não, não tenho a pretensão de dizer isso para que você mude. Acho que apenas desgastamos as lembranças com essa história de 'pseudo-amizade'. Eu que me engano esperando algum afeto, um telefonema qualquer ou até mesmo algumas palavras perdidas em um email...
Enfrentar o fim é tão difícil como manter o controle no começo.

Olha, você pode ficar chateado com o que vou dizer, mas prometi não esconder mais nada para poupar sua culpa na minha dor. E é em relação a isso, fiquei agonizando nos últimos dias, sentindo o mais egoístas dos sentimentos. Quase enlouqueci, preferi tentar entender, mas a dor esteve aqui, desde o dia em que percebi a mudança do teu olhar. Sim, eu adoro me torturar psicologicamente, adoro cavar o mais fundo de mim.

Durante todo esse tempo torturei amigos com os meus sentimentos que estiveram tão vivos enquanto estive apaixonada. Falei, e os fiz engoli verdade que eu acreditava existir.
Só então percebi que você é mais que tudo isso. Eu aprendi a tolerar, e tudo isso como você já sabe, acabou chegando aos poucos. E esse é apenas 'um' dos muitos outros sentimentos que recebi enquanto você fazia parte ativamente de mim .

Vamos então nos poupar do trabalho de ter que se explicar, sabemos literalmente o que é ter um outro 'eu' circulando profundamente dentre as veias mais escondidas do corpo. Mas já sabemos, todas as minhas palavras e gestos possui uma única intenção: de te fazer abrir teus braços pela milésima vez, e me fazer sentir segura, nem que seja por poucos minutos e que junto, venha esse teu sorriso, que amo, desde a primeira vez que ele se abriu para mim.

Caso você não consiga entender todo esse respeito, admiração, carinho e saudade, se resumem em um só sentimento : amizade, essa nossa pseuso-amizade.

Um comentário:

Daniela A. Rabelo disse...

Oi, Thaty. Achei forte, subversiva e profunda a sua colocação. Bacana, heim. Lembra do E-O-R? Estímulo, organismo, resposta. É bem por aí mesmo. Na verdade respondemos a tudo e a todos. A resposta... bem, a resposta cabe a profundidade da pessoa! Parabéns! Tudo de bom e conte comigo!