terça-feira, 5 de outubro de 2010

Seis minutos

Acordei com aquele vazio no peito. Cheiro de cigarro e olheiras. A cabeça roda feito carrossel. Imploro por um gole de café bem quente, mas, vodka desceria melhor. Fiquei com o café. "Isso que dá se permitir". Vontade de enfiar a mão no peito e arrancar essa podridão que costumo chamar de "sentimento". De qualquer maneira, era vazio. E incomoda tanto andar no desconhecido. Ou é ou não é, que merda! É simples. "Só não deixa esse vazio". Seis minutos.

Logo passo pelos carros e imagino os seres humanos e suas rotinas miseráveis. "Aquele babaca me cortou, ou foi impressão?". Foda-se. Foda-se. Estou me dando bem com esse lance de morte. Isso que dá ser jornalista. Corrupção. Roubo. Assassinato. Candidato. Solidão. Depressão. Excitação. Todo mundo louco no fumódromo. Os diálogos forçados. A representação viva da hipocrisia social. Seis minutos.

Logo tudo acaba e cada um vai ser o que quiser. Escrever coisas escondidas. E desempenhar o papel amargo de ter que ser alguém. "Maldita imposição social". É, mas você é uma filha da puta e vai continuar sendo, isso não vai mudar. Não vai mudar. Covardia é para os fortes. Os fracos se desesperam e pulam do 7° andar. Você não é fraco, representar é sua única opção. "Quando se é forte". Seis minutos.

Tenho um sonho desde aquela noite. Arranco seus olhos com uma furadeira. Antes brinco em torturar teus medos, se erro, corto um dedo e por aí vai. "A vingança ronda os amargos". Agora, te fazem de ratinho de laboratório e você ainda tem que ficar quieta? Se fuder. Se fuder. Queda livre e uma rio de sangue. Correria e cenas distorcidas. "Por aí vai tudo bem". Seis minutos.

Por alguns instantes fico extenuada. Logo o ódio bate à porta e meu coração dispara. Feito taquicardia. "Muleques malditos, eu deveria ter dado um soco e tentado a sorte", mas sou forte. Represento muito bem. Se qualquer um chegasse em mim numa hora dessas pra contar qualquer coisa, sem dúvidas eu responderia: "sinto muito, vai se fuder!". Seis minutos.

Ao menos com uma "fudida" gostosa ele se sentiria melhor. Gozar é bom, relaxa a mente e o corpo. "Mas isso não serviria para mim agora". Bom mesmo seria matar aquele filho da puta e mandar ele pro inferno. Bom mesmo seria rasgar os cantos da boca. Representar para sempre. Assim, anularia as conversas fiadas, a vontade de matar e o vazio no peito. "Ah, se eu não fosse tão forte...". Seis minutos.





Um comentário:

Anônimo disse...

F-O-D-A-!-!-!