sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Não tem graça




Sim, há um vazio aqui, mas nada para ser preenchido. É com o tempo que ele vai deixando de existir. Não incomoda mais, não lateja, nem nos dias de chuva. Ele só deseja se estirar nesta cama e se perder em meio aos lençóis. A música toca repetida vezes e eu adoro. Ah, todas as vezes que esse solo grita alto e estremece as caixinhas, eu gos(t)o!

É sexta-feira-dos-desesperado, mas, não consigo sequer pensar direito. Não vejo nenhum ruído aleatório pela casa e agora isso me satisfaz. Isso me deixa em paz. Apesar das decepções diárias, das controvérsias, das pessoas que se foram, é, foram. Não deixaram rastros e nem rastejo. Só se foram.

Tenho, tinha, não sei mais, problema com essa coisa de ir ou deixar ir. Não me dói mais pensar que foi, ponto. É, foi estranho, eu sei. Não sei bem o que dizer ou pensar. Isso não quer dizer nunca mais, nem tanto faz. Não quer dizer nada. Só que é agora. E esse presente não dói, embora eu pense vez-em-quando.

"abençoados os corações flexíveis, pois nunca serão partidos..."
Albert Camus

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