Bateu aqui uma saudade. As ruas vazias na volta para casa me lembrou os dias mais simples que vivi. Uma liberdade voraz! Na praça, os moleques conversam... A gente tinha a calçada e o tempo passava com uma alegria tão singela que, de repente, já era hora dos caras de camisa laranja passar por nós.
O hipermercado 24h era um dos nossos lugares preferidos e o sereno não incomodava. Foram anos felizes. Quase todo dia era sexta-feira. O violão no banco de trás do carro e a gente só vivia a felicidade surreal do risco - pracinhas, que saudade delas! Sim, não nos importávamos em nos arriscar.
O álcool que consumíamos trazia felicidade e debates sobre os nossos tão temidos ideais. A rua foi a nossa casa e tudo fazia sentido.
Era fácil dirigir por quase oito horas seguidas até Sampa. Foi lá que a gente descobriu o que é amizade. Apesar do medo que sentimos da carreta, subir a Serra valeu a pena. Os olhos deslumbrados, a caminhada na beira mar e o primeiro contato com a água salgada. É... relã-piou. Mesmo com o sol que fazia naquele dia.
Na fazenda a gente escondeu nossos papos, descobertas e bitucas embaixo do colchão inflável -furado. A gente só não sabia que aquele forró de 51 deixaria tanta saudade. Ah, que bom foi dividir a estrada com vocês!
E atire a primeira pedra quem nunca uivou alto após uma dose de pinga - ou Cortezano (AAAAAUUUUUUUUUUUU!!!). Quem nunca correu pelado na rua e tomou banho de mangueira às 5h da manhã. Sem falar nos shows e Zé's Ricardo que a gente arrastou os pés.
"Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo do mundo". Os Novos Baianos, já velhos, embalavam àqueles momentos. De repente, de novo, éramos adolescentes ansiosos. E nossa única preocupação era que tudo corresse bem naquele velho Calango do Cerrado.
Nota da editora: Minha eterna saudade é de vocês, mesmo com vocês tão próximos!


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