sexta-feira, 6 de março de 2015

Vocês

Bateu aqui uma saudade. As ruas vazias na volta para casa me lembrou os dias mais simples que vivi. Uma liberdade voraz! Na praça, os moleques conversam... A gente tinha a calçada e o tempo passava com uma alegria tão singela que, de repente, já era hora dos caras de camisa laranja passar por nós. 

O hipermercado 24h era um dos nossos lugares preferidos e o sereno não incomodava. Foram anos felizes. Quase todo dia era sexta-feira. O violão no banco de trás do carro e a gente só vivia a felicidade surreal do risco - pracinhas, que saudade delas! Sim, não nos importávamos em nos arriscar. 

O álcool que consumíamos trazia felicidade e debates sobre os nossos tão temidos ideais. A rua foi a nossa casa e tudo fazia sentido. 

Era fácil dirigir por quase oito horas seguidas até Sampa. Foi lá que a gente descobriu o que é amizade. Apesar do medo que sentimos da carreta, subir a Serra valeu a pena. Os olhos deslumbrados, a caminhada na beira mar e o primeiro contato com a água salgada. É... relã-piou. Mesmo com o sol que fazia naquele dia. 

Na fazenda a gente escondeu nossos papos, descobertas e bitucas embaixo do colchão inflável -furado. A gente só não sabia que aquele forró de 51 deixaria tanta saudade. Ah, que bom foi dividir a estrada com vocês!

E atire a primeira pedra quem nunca uivou alto após uma dose de pinga - ou Cortezano (AAAAAUUUUUUUUUUUU!!!). Quem nunca correu pelado na rua e tomou banho de mangueira  às 5h da manhã. Sem falar nos shows e Zé's Ricardo que a gente arrastou os pés. 

"Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo do mundo". Os Novos Baianos, já velhos, embalavam àqueles momentos. De repente, de novo, éramos adolescentes ansiosos. E nossa única preocupação era que tudo corresse bem naquele velho Calango do Cerrado. 


Nota da editora: Minha eterna saudade é de vocês, mesmo com vocês tão próximos!

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